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Saturday, 2 May 2026

Saturday's Good Reading; “Pubescência” by Guimarães Passos (in Portuguese)

 

A Emílio de Menezes

 

Ei-la! Chega ao jardim, que estava triste,

Porque a sua alegria ausente estava,

E ela, que em vê-lo dantes se alegrava,

Agora a toda a tentação resiste:

 

Seria outra alma, pensa, que a animava?

Por que um desejo que a persegue insiste?

Qualquer cousa que ignora, mas que existe,

Pulsa-lhe ao coração que não pulsava.

 

Triste cismando segue, e em frente à fonte:

— Um sátira, de cuja boca escorre

Um fino fio d'água transparente —

 

Ri-se, dos cornos que lhe vê na fronte,

Os lábios cola aos dele, e porque morre

De sede, bebe alucinadamente.

Wednesday, 3 December 2025

Wednesday's Good Reding: untitled sonnet by Guimarães Passos (in Portuguese).

XXXIV
 

Na terra estava quando te queria
De todas as mulheres diferente,
E olhando a altura com o fervor dum crente
Em nuvem de ouro a tua imagem via.

Na asa encantada que a paixão me abria
Subi, para buscar-te unicamente,
E em cima estando vi-te, de repente,
Na terra, no lugar donde eu saía.

Olhos de amante, que de tal maneira
Andam cheios de lúcida loucura,
Que assim se perdem na maior cegueira.

E vendo aquilo que não há, decerto,
Sonham longe a ilusão de uma ventura
E não vêem a ventura que têm perto.

Friday, 4 July 2025

Friday's Sung Word: "A Casa Branca da Serra" by Guimarães Passos (in Portuguese)

Music by Miguel Emídio Pestana.
Originaly named "Barcarola".

Na casa branca da serra
Onde eu ficava horas inteiras,
Entre as esbeltas palmeiras
Ficaste, calma e feliz;
Aí teu peito me deste
Quando pisei tua terra,
Aí de mim te esqueceste
Quando deixei meu país.

Nunca te visse eu, formosa,
Nunca contigo falasse!
Antes nunca te encontrasse
Na minha vida enganosa
Por que não se abriu a terra?
Por que os céus não me puniram;
Quando meus olhos te viram
Na casa branca da serra?

Olhaste-me um só momento,
E, desde este triste instante,
Tu me ficaste constante
Na vista e no pensamento;
E, mesmo se te não via,
Eu passava horas inteiras,
Vendo-te a sombra irradia
Entre as esbeltas palmeiras...

Falei-te uma vez, e calma 
Tu me escutaste, mas logo
Abrasou-se tu'alma ao fogo
Que lavrava na minha alma,
Transfigurada e feliz, 
"Sou tua!" tu me disseste...
Depois... te esqueceste,
Quando deixei teu país.

Embora tudo!... Bendigo
Esta ditosa lembrança
Que, sem me dar esperança,
Une-me ainda contigo...
Bendigo a casa da serra,
Bendigo as horas fagueiras,
Bendigo aquelas palmeiras,
Querida, da tua terra.

 
You can listen !A Casa Branca da Serra" sung by Mário Pinheiro (the first recording, 1909) here

You can listen !A Casa Branca da Serra" sung by Mário Pinheiro (the second recording, 1910) here.

 

You can listen !A Casa Branca da Serra" sung by Guimarães Passos here

 

You can listen !A Casa Branca da Serra" sung by Vicente Celestino here

 

You can listen !A Casa Branca da Serra" sung by Carlos Galhardo here

 

You can listen !A Casa Branca da Serra" sung by Cascatinha e Inhana here.

 

You can listen !A Casa Branca da Serra" sung by Inezita Barroso here.