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Saturday, 31 January 2026

Saturday's Good Reading: “Os Sapos... Até Quando os Sapos?” by Plinio Corrêa de Oliveira (in Portuguese)

 

“Folha de S. Paulo”, 16 de outubro de 1983

 

Não parece que nossa opinião pública esteja sendo familiarizada com uma alternativa que, entretanto, a publicidade vai impondo cada vez mais a todos os homens.

A divulgação de tal alternativa vem sendo feita em escala universal, por um slogan com aparência de mero jogo de palavras: “better red than dead”. Todos já entenderam: é melhor tornar-se vermelho, aceitar a imposição humilhante do regime comunista, conformar-se com a organização moral, social e econômica anticristã que lhe é inerente, a assumir os riscos do bombardeio atômico.

Diga-se a verdade. O conteúdo desse slogan consiste em que a vida — sim, a vida terrena — é o bem supremo do homem. De onde se infere que o amor à Fé, à independência pátria, à dignidade pessoal, à honra, tem de ser menor do que o amor à vida. Imbecis todos os mártires e todos os guerreiros que até aqui entenderam o contrário. E em confronto com os quais eram menoscabados como poltrões os que, para salvar a própria pele, renegavam a Fé, fugiam do campo de batalha, ou aquiesciam vilmente a qualquer insulto.

A velha tábua de valores foi invertida. Os mártires e os heróis de guerra, que figuravam com destaque nas fileiras de escol da humanidade, devem ser vistos daqui por diante como idiotas. Como idiotas, também, os moralistas, os oradores, os poetas que realçavam aos olhos do povo a suposta sublimidade com que aqueles imbecis corriam ao holocausto. Cumpre calar afinal os velhos ditirambos ao heroísmo religioso ou civil. Pois o elogio da imbecilidade arrasta os fracos a segui-la.

Pelo contrário, viva os poltrões. Chegou para eles a era da glória. A prevalecer o “better red than dead”, eles constituem o creme mais fino da humanidade. Formam a grei securitária e astuta dos endeusadores do egoísmo.

É a apoteose de Sancho Pança. Para que este século terminasse coerente com o longo processo de decadência no qual ele estava engajado quando despertou para a História, seria mesmo necessário que ele descesse assim tão baixo...

Vejo alguém a dizer-me: “Se não caminharmos para a apoteose de Sancho Pança, chegaremos forçosamente à de D. Quixote. É isto que o senhor quer, Dr. Plinio?” Ao que eu não hesitaria em responder que, enquanto católico, contesto terminantemente que o gênero humano se reduza a um conjunto de Quixotes e de Sanchos. E que diante dos passos dos homens, só duas vias se abrem: a do esquálido e desvairado “herói” manchego, e a de seu abdominal e vulgar escudeiro. Fala-se tanto, hoje, em terceira via, Terceiro Mundo etc. Nesta matéria, quase ninguém se lembra de uma opção diferente, a qual evite igualmente a morte e sobretudo a capitulação diante do moloch soviético.

Em um nível supremamente elevado, é óbvio que, para além da alternativa posta por Cervantes, estão as vias sacrossantas do heroísmo cristão. Sim, do heroísmo cristão como a Igreja sempre o ensinou, e ao qual a História deve seus lances mais sábios, mais esplendorosos e mais propícios ao bem espiritual e temporal dos homens.

Hoje, contudo, não quero situar-me nesse plano, mas em outro muitíssimo menos elevado. Porém digno da mais séria atenção.

Pergunto: não dispõem os homens de um meio para evitar ao mesmo tempo a destruição atômica e a catástrofe da entrega ao comunismo?

Tenho em mãos um estudo substancioso sobre o meio, a meu ver altamente conducente a esse feliz resultado. Trata-se de “The grain weapon”, do Sr. Dermot Healy, tese que o autor apresentou para doutoramento na Universidade de Aberdeen, Escócia (Centrepieces, No. 1, 1982, 50 p.p.).

Em síntese o autor sustenta — e prova — que:

a) os dirigentes russos sempre se mostraram muito sensíveis à ameaça do embargo feita pelos Estados Unidos. Pois a produção alimentar dos soviéticos é insuficiente, tanto para a população quanto para os próprios animais;

b) o embargo acarretaria necessariamente um pauperismo generalizado, com suas sequelas de manifestações de descontentamento, greves, agitações etc.

Se tal embargo se prolongasse, penso que a queda do regime seria inevitável. E... o espectro do bombardeio atômico se afastaria. Em consequência — comento — a alternativa entre capitulação ou morte cairia em frangalhos [...].

A tal propósito, comento eu, a causa única do insucesso desse embargo consiste na avidez de lucro de dinossáuricas companhias capitalistas. Ou seja, para aumentar seus lucros, e portanto seu capital, tais companhias não hesitam em fornecer meios de vitória ao inimigo inexorável de todas as formas de graus de capitalismo e de lucro. Em matéria de suicídio, nada de mais insano nem mais rejeitável.

A par desse exemplo deplorável, Dermot Healy faz, entretanto, menção de um fato realmente luminoso: a única oposição de relevo à venda de cereais foi feita pelo sindicato de estivadores norte-americanos, os quais, durante certo período, se negaram a carregar grãos com destino à Rússia.

Esses trabalhadores mostraram mais bom-senso, melhor noção de seus deveres e de seus direitos, do que... a “saparia”, isto é, a burguesia endinheirada, nada hostil ao comunismo, porém muito hostil ao anticomunismo.

Os sapos, sempre os sapos a se destruírem infatigavelmente a si próprios, indiferentes ou até antipáticos aos que, como os estivadores, procuram defender a ordem de coisas sem a qual os sapos... nem sequer seriam sapos!

Friday, 30 January 2026

Friday's Sung Word: "Flor Amorosa" by Catulo da Paixão Cearense (in Portuguese).

 Music by Joaquim Calado.

Flor amorosa, compassiva, sensitiva, vem, porque
É uma rosa orgulhosa, presunçosa, tão vaidosa
Pois olha a rosa tem prazer em ser beijada, é flor, é flor
Oh, dei-te um beijo, mas perdoa, foi à toa, meu amor

Em uma taça perfumada de coral
Um beijo dar não vejo mal
É um sinal de que por ti me apaixonei
Talvez em sonhos foi que te beijei
Se tu puderes extirpar dos lábios meus
Um beijo teu, tira-o por Deus
Vê se me arrancas esse odor de resedá
Sangra-me a boca, é um favor, vem cá

Eu fiquei após depôr um doce beijo
Em ti, em ti
Mas quem resiste? Tens quebranto!
Nem um santo pode tanto.
Depois de te beijar, senti vontade de chorar, chorei!
Sim, eu te juro, te asseguro
Eu te juro que pequei.

Não deves mais fazer questão
Já pedi, queres mais? Toma o coração
Oh, tem dó dos meus ais, perdão
Sim ou não? Sim ou não?
Olha que eu estou ajoelhado
A te beijar, a te oscular os pés
Sob os teus, sob os teus, olhos tão crueis
Se tu não me quiseres perdoar
Beijo algum em mais ninguém eu hei de dar

Se ontem beijavas um jasmim do teu jardim, a mim, a mim
Oh, por que juras, mil torturas?
Mil agruras, por que juras?
Meu coração delito algum por te beijar não vê, não vê
Só, por um beijo, um gracejo, tanto pejo
Mas por quê?

You can listen "Flor Amorosa" sung by Maria Martha (1977) here.

 

You can listen "Flor Amorosa" sung by Francisco Carlos with Altamiro Carrillho and is Band (1958) here.

 

You can listen "Flor Amorosa" sung by Gilberto Alves (ca. 1948) here

  

You can listen "Flor Amorosa" sung by Abigail Parecis (1929) here

 You can listen "Flor Amorosa" sung by Aristarco Brandáo (1913)  here

Wednesday, 28 January 2026

Wednesday's Good Reading: First Sermon on the Ascention of the Lord by Pope Saint Leo I, Magnus (translated into Portuguese).

 

1. Cristo ressuscitado aparece e a dúvida dos discípulos confirma a fé

Hoje, caríssimos, completam-se os quarenta dias santificados, dispostos segundo um plano sagrado e empregados para nossa instrução, a contar da bem-aventurada e gloriosa ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, quando o poder divino reergueu no terceiro dia o verdadeiro templo de Deus, destruído pela impiedade dos judeus. O Senhor prolonga a sua presença corporal durante este espaço de tempo, para munir das provas necessárias a fé na sua ressurreição.

A morte de Cristo turbara muito os corações dos discípulos; certo torpor de desconfiança havia-se insinuado nos espíritos opressos de tristeza, por causa do suplício da cruz, do último suspiro e do sepultamento do corpo exânime. Por isso, quando as santas mulheres, como narra a história evangélica, anunciaram que a pedra havia sido rolada do túmulo, o sepulcro estava vazio e os anjos tinham testemunhado que o Senhor vivia, as suas palavras pareceram aos apóstolos e aos outros discípulos uma espécie de delírio.

O Espírito de verdade não teria permitido que tal hesitação e vacilação proveniente da fraqueza humana penetrassem na mente dos seus pregadores, se aquela trépida solicitude, a dúvida e a curiosidade, não lançassem os fundamentos da nossa fé. Por meio dos apóstolos eram socorridas as nossas perturbações e os nossos perigos. Por eles aprendíamos como vencer as calúnias dos ímpios e os argumentos da sabedoria terrena. Vendo, instruíram-nos; ouvindo, ensinaram-nos; tocando, confirmaram-nos. Demos graças pela economia divina e pela necessária lentidão dos nossos santos pais! Duvidaram para que não duvidássemos nós.

 

2. Importantes acções de Cristo nesses dias

Não passaram inutilmente, caríssimos, os dias decorridos entre a ressurreição e a ascensão do Senhor, mas neles se corroboram grandes sacramentos, foram revelados profundos mistérios. Neles eliminou-se o medo da morte cruel e manifestou-se a imortalidade não apenas da alma, mas também a do corpo. Neles, pelo sopro do Senhor, infundiu-se o Espírito Santo nos apóstolos todos; ao bem-aventurado apóstolo Pedro, com primazia, foi entregue após as chaves do reino, o cuidado das ovelhas do Senhor.

Nesses dias, o Senhor juntou-se como terceiro companheiro aos dois discípulos em viagem (Lc 24,15) e para expelir as trevas da nossa dúvida, censura a lentidão destes temerosos e hesitantes. Os seus corações iluminados concebem a chama da fé; de tépidos tornam-se ardentes ao explicar-lhes o Senhor as Escrituras. Na fracção do pão abrem-se os olhos dos convivas. Muito mais felizes esses olhos que se abrem e vêem manifesta a glória da natureza do Senhor do que os dois primeiros membros do género humano que verificaram a confusão causada pela própria prevaricação.

 

3. As chagas confirmam os corações vacilantes dos discípulos

Entre esses e outros milagres, quando os discípulos estavam agitados por trepidantes cogitações, o Senhor apareceu no meio deles, dizendo-lhes: “Paz a vós!” (Lc 24,36; Jo 20,26). Para dissipar as opiniões que eles revolviam no coração (julgavam ver um espírito e não um corpo), repreendeu os juízos discordantes da verdade, apresentou aos olhos dos que duvidavam as cicatrizes que lhe restavam da crucificação nas mãos e nos pés, e convidou-os a tocá-las cuidadosamente.

No intuito de se curarem as feridas dos corações descrentes, foram conservados os sinais dos cravos e da lança, de modo que acreditassem, não por crença dúbia, mas com firme conhecimento, que haveria de partilhar o trono de Deus Pai aquela natureza que havia jazido no sepulcro.

 

4. A ascensão enche de alegria aqueles que a morte fizera tímidos e a ressurreição deixara na dúvida

Durante o tempo, caríssimos, decorrido entre a ressurreição e a ascensão do Senhor, a Providência de Deus estabeleceu, ensinou e insinuou diante dos olhos e dos corações dos seus, que reconhecessem ter o Senhor Jesus Cristo verdadeiramente ressuscitado, como verdadeiramente havia nascido, sofrido e morrido. Os bem-aventurados apóstolos e todos os discípulos, atemorizados com a morte na cruz e de fé oscilante na ressurreição, de tal modo se fortaleceram com a evidência da verdade que a subida do Senhor aos céus não somente não os entristeceu, mas ao contrário encheu-os de grande alegria (Lc 24,52).

E, em verdade, grande e inefável motivo de júbilo era elevar-se, na presença duma santa multidão, uma natureza humana acima da dignidade de todas as criaturas celestes, ultrapassar as ordens angélicas e subir mais alto que os arcanjos, e nem assim atingir o termo da sua ascensão senão quando, assentada junto do eterno Pai, fosse associada ao trono de glória daquele a cuja natureza estava unida no Filho. A ascensão de Cristo, portanto, é nossa exaltação e para lá onde precedeu a glória da Cabeça, é atraída também a esperança do Corpo. Exultemos, caríssimos, repletos de gáudio e alegremo-nos com piedosa acção de graças!

Hoje não só fomos firmados como possuidores do paraíso, mas até penetramos com Cristo no mais alto dos céus, tendo obtido, pela inefável graça de Cristo, muito mais do que perdêramos por inveja do diabo. Aqueles que o virulento inimigo expulsou da felicidade da habitação primitiva, o Filho de Deus, tendo-os incorporado a si, colocou-os à direita do Pai. Ele, que vive e reina com o Pai na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Tuesday, 27 January 2026

Tuesday's Serial: Book of the Prophet Amos (translated into Portuguese) - the end.

 

Amós, 9

1. Vi o Senhor de pé junto do altar. Ele me disse:

“Fere o capitel, para que se estremeçam os umbrais.

Quebra-os por cima das cabeças de todos;

matarei à espada o que restar,

sem que ninguém possa fugir nem escapar.

2. Mesmo que desçam à morada dos mortos,

minha mão os arrancará de lá;

ainda que subam aos céus,

eu os farei descer dali;

3. se se esconderem no cimo do Carmelo,

eu os irei buscar e os tirarei de lá;

se se ocultarem de meus olhos no fundo do mar,

lá ordenarei ao dragão que os morda;

4. se forem levados cativos pelos inimigos,

ordenarei à espada que os mate.

Terei meus olhos fixos neles para o seu mal,

não para o seu bem”.

5. O Senhor Javé dos exércitos

toca a terra, ela se funde,

e todos os seus habitantes ficam de luto.

Todo o solo cresce como o Nilo,

e baixa como o rio do Egito.

6. Aquele que constrói seus aposentos no céu,

e firma sobre a terra a abóbada celeste,

aquele que convoca as águas do mar,

e as derrama sobre a face da terra

– “Senhor” é o seu nome.

7. Acaso não sois vós para mim, ó filhos de Israel,

como os etíopes? – oráculo do Senhor.

Se tirei Israel do Egito,

não tirei também os filisteus de Caftor, os sírios de Quir?*

8. Eis que os olhos do Senhor Javé estão fixos no reino pecador:

eu o farei desaparecer da face da terra,

mas não destruirei

completamente a casa de Jacó – oráculo do Senhor.

9. Porque vou dar ordens;

vou sacudir a casa de Israel entre todas as nações,

como se sacode o grão na peneira

sem que um só grão caia por terra.

10. Todos os pecadores do meu povo perecerão pela espada,

embora digam: “Não seremos atingidos, não virá sobre nós o mal”.

11. Naquele dia, levantarei a cabana arruinada de Davi,

repararei as suas brechas, levantarei as suas ruínas,

e a reconstruirei como nos dias antigos,*

12. para que herdem o que resta de Edom,

e de todas as nações sobre as quais o meu nome foi invocado

– oráculo do Senhor, que executará estas coisas.

13. Eis que vêm dias – oráculo do Senhor –,

em que seguirão de perto o que planta e o que colhe,

o que pisa os cachos e o que semeia;

o mosto correrá pelas montanhas, todas as colinas se derreterão.

14. Restaurarei, então, o meu povo de Israel:

reconstruirão as cidades devastadas e as habitarão;

plantarão vinhas e beberão o seu vinho,

cultivarão pomares e comerão os seus frutos.

15. Eu os plantarei em sua terra,

e não serão arrancados jamais da terra que lhes dei

 – oráculo do Senhor, teu Deus.

 

Notas de rodapé:

9:1-4 - Deus revela a visão da destruição de Israel, afirmando que ninguém escapará do juízo. A gravidade do julgamento é destacada, demonstrando que a justiça divina será imparcial, atingindo até os mais poderosos (veja também Jeremias 49:7-22 e Mateus 25:31-46).

9:5-6 - O Senhor, o Criador, é o soberano que executará o juízo sobre Israel. Ele é apresentado como aquele que controla a natureza e usa até mesmo o caos para cumprir Seus propósitos. A onipotência de Deus está no centro da visão de juízo (veja também Salmo 24:1-2 e Isaías 40:12-14).

9:7-10 - Deus lembra a Israel de como Ele já os resgatou do Egito e os fez Seu povo, mas agora trará o castigo devido aos seus pecados. A reversão da sorte de Israel é um reflexo da justiça divina, que premia a obediência e pune a desobediência (veja também Deuteronômio 7:7-10 e Mateus 7:21-23).

9:11-15 - A promessa de restauração de Israel, após o juízo, é dada. Deus promete restaurar a casa de Davi, trazendo bênçãos e prosperidade. Essa promessa aponta para a vinda do Messias e a restauração espiritual de Israel (veja também Atos 15:16-17 e Romanos 11:25-27).

Friday, 23 January 2026

Friday's Sung Word: "Iaiá" (Ai, Ioiô) by Henrique Vogeler, Luís Peixoto, and Marques Porto (in Portuguese).

Ai, ioiô
Eu nasci pra sofrer
Foi olhar pra você
Meus zoinho fechou
E quando os óio eu abri
Quis gritar, quis fugir
Mas você
Eu não sei porque
Você me chamou

Ai, ioiô
Tenha pena de mim
Meu senhor do Bonfim
Pode inté se zangar
E se ele um dia souber
Que você é que é
O ioiô de iaiá

Chorei toda noite, pensei
Nos beijo de amor que te dei
Ioiô, meu benzinho do meu coração
Me leva pra casa, me deixa mais não.

 

You can listen "Iaiá" (Ai, Ioiô) sung by  Odete Amaral here.

 

You can listen "Iaiá" (Ai, Ioiô) sung by  Dalva de Oliveira here.

 

 


You can listen "Iaiá" (Ai, Ioiô) sung by  Aracy Cortes here

Tuesday, 20 January 2026

Tuesday's Serial: Book of the Prophet Amos (translated into Portuguese) - VIII.

 Amós, 8

1. Eis o que me mostrou o Senhor:

Vi uma cesta de frutos maduros.

2. “Que vês tu, Amós?” – perguntou-me ele –.

“Uma cesta de frutos maduros” – respondi –.

Ele replicou:

“Chegou o fim para o meu povo de Israel.

Não continuarei a perdoá-lo.

3. Naquele dia, os cantos do palácio serão gritos de aflição

– oráculo do Senhor Javé.

Uma multidão de cadáveres,

lançados em qualquer parte. Silêncio!”.

4. Ouvi isto, vós que engolis o pobre,

e fazeis perecer os humildes da terra,

5. dizendo: Quando passará a lua nova,

para vendermos o nosso trigo, e o sábado,

para abrirmos os nossos celeiros,

diminuindo a medida e aumentando o preço,

e falseando a balança para defraudar?*

6. Compraremos os infelizes

por dinheiro e os pobres

por um par de sandálias.

Venderemos até o refugo do trigo.

7. O Senhor jurou pelo orgulho de Jacó:

não esquecerei jamais nenhum de seus atos.

8. Não estremecerá a terra por causa disso?

 Não estará de luto toda a sua população?

Todo o solo crescerá como o Nilo,

subirá e baixará como o rio do Egito.

9. Acontecerá naquele dia

– oráculo do Senhor Javé –

que farei o sol se pôr ao meio-dia,

e encherei a terra de trevas em pleno dia.

10. Converterei vossas festas em luto,

e vossos cânticos em elegias fúnebres.

Porei o saco em volta de todos os rins,

e a navalha em todas as cabeças.

E farei (a terra) debulhar-se em pranto, como se chora um filho único,

e seu porvir será um dia de amargura.

11. Virão dias – oráculo do Senhor Javé –

em que enviarei fome sobre a terra,

não uma fome de pão, nem uma sede de água,

(fome e sede) de ouvir a palavra do Senhor.*

12. Andarão errantes de um mar a outro,

vaguearão do Norte ao Oriente;

correrão por toda parte buscando a palavra do Senhor,

e não a encontrarão.

13. Naqueles dias, desfalecerão de sede

as belas jovens e os moços.

14. Os que juram pelo pecado da Samaria e dizem:

“Pela vida do teu deus, Dã!”. e

“Pelo caminho de Bersabeia!”

– estes cairão e não mais se levantarão.*

Notas de rodapé:

8:1-3 - Amós vê uma cesta de frutos maduros, representando a decadência moral e espiritual de Israel. O simbolismo do "fruto maduro" reflete o tempo de julgamento iminente, onde o pecado atingiu seu ápice (veja também Jeremias 24:1-10 e Mateus 21:33-46).

8:4-6 - O profeta denuncia a opressão dos pobres e a corrupção dos líderes, mostrando que Israel busca riquezas materialistas e injustiça social. O contraste entre justiça e exploração revela a indignação de Deus contra o pecado social (veja também Isaías 10:1-2 e Tiago 5:1-6).

8:7-10 - O Senhor jura que Ele não esquecerá os pecados de Israel, incluindo a opressão dos pobres e a falsificação da justiça. O julgamento de Deus será como um eclipse solar, simbolizando a escuridão espiritual e a morte iminente (veja também Amós 5:18-20 e Lucas 21:25-26).

8:11-14 - A visão da fome e da sede de ouvir a Palavra de Deus reflete a crise espiritual de Israel. O povo busca desesperadamente por uma palavra de esperança, mas já é tarde, pois a justiça de Deus será cumprida (veja também Mateus 4:4 e Amós 5:13).