– art by Nick Cardy - World's Finest Comics vol.1 #87 - DC Comics, March 1957.
Monday, 22 September 2014
Sunday, 21 September 2014
Letter from Guigo I to a Friend About the Life in Solitude (translated into Portuguese)
Ao Reverendo…, Guigo, o menor dos servos da Cruz que estão em Chartreuse: «
Viver e morrer por Cristo » (Cf. Fl 1,21).
Um imagina feliz o outro. A meu
ver, aquele que o é verdadeiramente não é o ambicioso que luta para conseguir
honras altivas num palácio, mas aquele que escolhe levar uma vida simples e
pobre no deserto, que gosta de aplicar-se à sabedoria no repouso, e deseja
com ardor permanecer sentado e solitário no silêncio (Cf. Lm 3,28).
Porque, brilhar nas honras, estar
elevado em dignidade, é, a meu ver, cosia pouco tranqüila, exposta a perigos,
sujeita a cuidados, suspeita para muitos, e para ninguém segura. Alegre no
princípio, equívoca com a prática, é triste no seu termo. Aplaude os indignos,
indigna-se contra os bons, e a maioria das vezes, zomba de uns e de outros. Fazendo
muitos infelizes, não faz ninguém feliz, nem satisfeito.
Em compensação, a vida pobre e
solitária, pesada no começo, fácil no seu curso, torna-se no fim celeste. Está
firme nas provas, confiante nas incertezas, modesta no êxito. É frugal na
alimentação, simples no vestir, reservada nas palavras, casta nos costumes, e
objeto dos maiores desejos porque não deseja absolutamente nada. Sente muitas
vezes o aguilhão do arrependimento pelos seus pecados passados, evita-os no
presente e previne-se contra eles no futuro. Espera na misericórdia, mas não
contam com os seus méritos. Aspirando vivamente aos bens celestiais, rejeita os
da terra. Esforça-se por adquirir uma conduta provada, mantém-se nela com
perseverança, e guarda-a para sempre. Entrega-se aos jejuns pelo hábito da
Cruz, mas aceita alimentos por exigência do corpo. Dispõe uma e outra coisa com
a mais perfeita medida; com efeito, domina a gula sempre que decide comer, e o
orgulho, sempre que quer jejuar. Dedica-se ao estudo, mas sobretudo das
Escrituras e de obras religiosas nas quais o miolo do sentido a mantém mais
ocupada que a escuma das palavras. E, o que é mais surpreendente e mais
admirável, permanece sem cessar no repouso, e, ao mesmo tempo, nunca está
ociosa. Multiplica as suas ocupações, de modo a faltar-lhe a maioria das vezes
o tempo mais que atividades diversas. E lamenta-se mais freqüentemente da falta
de tempo que do aborrecimento do trabalho.
E que mais dizer? É um belo tema
aconselhar o repouso, mas semelhante exortação exige um espírito senhor de si
que, cuidadoso com o seu próprio bem, desdenhe intrometer-se nos assuntos
públicos ou alheios; um espírito que sirva sob Cristo na paz de forma a evitar
ser simultaneamente soldado de Deus e defensor do mundo, e que saiba
perfeitamente que não pode gozar aqui com este século e reinar no outro com o
Senhor.
Mas estas coisas e outras
semelhantes são muito pouco se te lembras do que bebeu sobre o patíbulo Aquele
que te convida a reinar com Ele. De bom ou mal grado, importa-te seguir o
exemplo de Cristo na sua pobreza, se queres ter parte em Cristo nas suas
riquezas. « Se participamos nos seus sofrimentos, diz o Apóstolo, « reinaremos
também com Ele » (Rm 8,17), « Se morremos com Cristo, viveremos também com Ele
» (2Tim 2, 11-12). O próprio Mediador respondeu aos dois discípulos que Lhe
pediam para se sentarem um à sua direita e o outro à sua esquerda : « Podeis
beber o cálice que Eu vou beber? » (Mt. 20, 21-22). Mostrava-nos deste modo
que se chega aos festins prometidos dos Patriarcas e ao néctar das taças
celestes pelos cálices das amarguras terrestres.
E porque a amizade já alimenta a
confiança e que tu, meu apreciado amigo em Cristo, sempre me foste caro desde o
dia em que te conheci, exorto-te, animo-te e peço-te, visto que és prudente,
ponderado, sábio e muito hábil, que subtraias ao mundo esse pouco da tua vida
que ainda não foi consumido; não tardes em queimá-lo para Deus, como um
sacrifício vespertino (Ps 140,2), depondo-o sobre o fogo da caridade (Cf. Lv
1,17), a fim de que, a exemplo de Cristo, sejas tu próprio sacerdote e também «
Vitima (em sacrifício de) agradável odor para Deus » (Ef 5,2) e para os
homens.
Mas, a fim de compreenderes mais
plenamente para onde tende o ardor de todo este discurso, indico brevemente à
prudência do teu juízo qual é o voto do meu coração e ao mesmo tempo o seu
conselho: como homem de coração generoso e nobre, abraça o nosso gênero de vida,
tendo em vista a tua salvação eterna, e, feito novo recruta de Cristo,
vigiarás, fazendo uma guarda santa no campo da milícia celeste, depois de teres
posto à cinta a tua espada (2Tm 2,11-12), por causa dos temores da noite (Ct
3,8).
Portanto, como se trata para ti
duma coisa boa no seu empreendimento, fácil na sua realização e feliz no seu
acabamento, peço-te que ponhas na consecução de um tão justo “negócio” tanta
aplicação quanta a graça divina para tal te conceder. Onde e quando deves
fazê-lo, deixo a escolha decisiva disso à tua sagacidade. Mas não creio de
forma nenhuma que um prazo ou demora nisso seja algo vantajoso para ti.
Mas não me alongarei mais sobre
tal assunto, receoso de que este discurso rude e deselegante te moleste como
freqüentador do Palácio e da Corte. Tenha, pois, esta carta um fim e uma
medida, coisa que não terá nunca o meu grande afeto por ti.
Saturday, 20 September 2014
“The Crosses Grow On Anzio” by Audie Murphy (in English)
Oh, gather 'round me, comrades; and
listen while I speak
Of a war, a war, a war where hell is
six feet deep.
Along the shore, the cannons roar. Oh
how can a soldier sleep?
The going's slow on Anzio.
And hell is
six feet deep.
Praise be to God for this captured sod that
rich with blood does seep.
With yours and mine, like butchered
swine's; and hell is six feet deep.
That death awaits there's no debate;
no triumph will we reap.
The crosses grow on Anzio,
where hell is
six feet deep.
1948
Friday, 19 September 2014
“Rosa Morena” by Dorival Caymmi (in Portuguese)
Onde vais morena
Rosa
Com essa rosa no
cabelo
E esse andar de
moça prosa
Morena
Morena Rosa
Rosa morena o
samba está esperando
Esperando pra te
ver
Deixa de lado
esta coisa de dengosa
Anda, Rosa, vem
me ver
Deixa de lado
esta pose
Vem pro samba vem
sambar
Que o pessoal tá
cansado de esperar
Ó Rosa
Que o pessoal tá
cansado de esperar
Morena Rosa
Que o pessoal tá
cansado de esperar
Viu Rosa?
"Rosa Morena" sung by João Gilberto
Thursday, 18 September 2014
“A Esmola” by Belmiro Braga (in Portuguese)
Ao pobre dando
esmola não procuro
transformar o meu
ato num troféu,
porque ela apenas
representa o juro
de quantia maior
que devo ao céu.
À minha esmola,
muito embora pouca,
junto palavras de
consolação:
assim como
alimenta o pão à boca,
alimenta o
carinho ao coração.
A esmola sempre
deve ser oculta
aos olhares do
próximo, porque,
quanto mais a
escondermos, mais avulta
ela aos olhos de
Deus, que tudo vê...
Wednesday, 17 September 2014
“The Divine Comedy” by Dante Alighieri (Inferno: Canto XIII) (in Italian)
Inferno: Canto
XIII
Non era ancor di
la` Nesso arrivato,
quando noi ci mettemmo per un bosco
che da neun sentiero era segnato.
Non fronda verde,
ma di color fosco;
non rami schietti, ma nodosi e 'nvolti;
non pomi v'eran, ma stecchi con tosco:
non han si` aspri sterpi ne' si` folti
quelle fiere
selvagge che 'n odio hanno
tra Cecina e Corneto i luoghi colti.
Quivi le brutte
Arpie lor nidi fanno,
che cacciar de le Strofade i Troiani
con tristo annunzio di futuro danno.
Ali hanno late, e
colli e visi umani,
pie` con artigli, e pennuto 'l gran ventre;
fanno lamenti in su li alberi strani.
E 'l buon maestro
<<Prima che piu` entre,
sappi che se' nel secondo girone>>,
mi comincio` a dire, <<e sarai mentre
che tu verrai ne
l'orribil sabbione.
Pero` riguarda ben; si` vederai
cose che torrien fede al mio sermone>>.
Io sentia d'ogne
parte trarre guai,
e non vedea persona che 'l facesse;
per ch'io tutto smarrito m'arrestai.
Cred'io ch'ei
credette ch'io credesse
che tante voci uscisser, tra quei bronchi
da gente che per noi si nascondesse.
Pero` disse 'l
maestro: <<Se tu tronchi
qualche fraschetta d'una d'este piante,
li pensier c'hai si faran tutti
monchi>>.
Allor porsi la
mano un poco avante,
e colsi un ramicel da un gran pruno;
e 'l tronco suo grido`: <<Perche' mi
schiante?>>.
Da che fatto fu
poi di sangue bruno,
ricomincio` a dir: <<Perche' mi scerpi?
non hai tu spirto di pietade alcuno?
Uomini fummo, e
or siam fatti sterpi:
ben dovrebb'esser la tua man piu` pia,
se state fossimo anime di serpi>>.
Come d'un stizzo
verde ch'arso sia
da l'un de'capi, che da l'altro geme
e cigola per vento che va via,
si` de la
scheggia rotta usciva insieme
parole e sangue; ond'io lasciai la cima
cadere, e stetti come l'uom che teme.
<<S'elli
avesse potuto creder prima>>,
rispuose 'l savio mio, <<anima lesa,
cio` c'ha veduto pur con la mia rima,
non averebbe in te la man distesa;
ma la cosa incredibile mi fece
indurlo ad ovra ch'a me stesso pesa.
Ma dilli chi tu
fosti, si` che 'n vece
d'alcun'ammenda tua fama rinfreschi
nel mondo su`, dove tornar li lece>>.
E 'l tronco:
<<Si` col dolce dir m'adeschi,
ch'i' non posso tacere; e voi non gravi
perch'io un poco a ragionar m'inveschi.
Io son colui che tenni ambo le chiavi
del cor di Federigo, e che le volsi,
serrando e diserrando, si` soavi,
che dal secreto
suo quasi ogn'uom tolsi:
fede portai al glorioso offizio,
tanto ch'i' ne perde' li sonni e ' polsi.
La meretrice che
mai da l'ospizio
di Cesare non torse li occhi putti,
morte comune e de le corti vizio,
infiammo` contra
me li animi tutti;
e li 'nfiammati infiammar si` Augusto,
che ' lieti onor tornaro in tristi
lutti.
L'animo mio, per
disdegnoso gusto,
credendo col morir fuggir disdegno,
ingiusto fece me contra me giusto.
Per le nove
radici d'esto legno
vi giuro che gia` mai non ruppi fede
al mio segnor, che fu d'onor si` degno.
E se di voi alcun
nel mondo riede,
conforti la memoria mia, che giace
ancor del colpo che 'nvidia le diede>>.
Un poco attese, e
poi <<Da ch'el si tace>>,
disse 'l poeta a me, <<non perder
l'ora;
ma parla, e chiedi a lui, se piu` ti
piace>>.
Ond'io a lui:
<<Domandal tu ancora
di quel che credi ch'a me satisfaccia;
ch'i' non potrei, tanta pieta`
m'accora>>.
Percio`
ricomincio`: <<Se l'om ti faccia
liberamente cio` che 'l tuo dir priega,
spirito incarcerato, ancor ti piaccia
di dirne come l'anima
si lega
in questi nocchi; e dinne, se tu puoi,
s'alcuna mai di tai membra si spiega>>.
Allor soffio` il
tronco forte, e poi
si converti` quel vento in cotal voce:
<<Brievemente sara` risposto a voi.
Quando si parte
l'anima feroce
dal corpo ond'ella stessa s'e` disvelta,
Minos la manda a la settima foce.
Cade in la selva,
e non l'e` parte scelta;
ma la` dove fortuna la balestra,
quivi germoglia come gran di spelta.
Surge in vermena
e in pianta silvestra:
l'Arpie, pascendo poi de le sue foglie,
fanno dolore, e al dolor fenestra.
Come l'altre verrem per nostre spoglie,
ma non pero` ch'alcuna sen rivesta,
che' non e` giusto aver cio` ch'om si toglie.
Qui le
trascineremo, e per la mesta
selva saranno i nostri corpi appesi,
ciascuno al prun de l'ombra sua
molesta>>.
Noi eravamo
ancora al tronco attesi,
credendo ch'altro ne volesse dire,
quando noi fummo d'un romor sorpresi,
similemente a
colui che venire
sente 'l porco e la caccia a la sua posta,
ch'ode le bestie, e le frasche stormire.
Ed ecco due da la
sinistra costa,
nudi e graffiati, fuggendo si` forte,
che de la selva rompieno ogni rosta.
Quel dinanzi:
<<Or accorri, accorri, morte!>>.
E l'altro, cui pareva tardar troppo,
gridava: <<Lano, si` non furo accorte
le gambe tue a le giostre dal Toppo!>>.
E poi che forse li fallia la lena,
di se' e d'un cespuglio fece un groppo.
Di rietro a loro
era la selva piena
di nere cagne, bramose e correnti
come veltri ch'uscisser di catena.
In quel che s'appiatto` miser li denti,
e quel dilaceraro a brano a brano;
poi sen portar quelle membra dolenti.
Presemi allor la
mia scorta per mano,
e menommi al cespuglio che piangea,
per le rotture sanguinenti in vano.
<<O Iacopo>>,
dicea, <<da Santo Andrea,
che t'e` giovato di me fare schermo?
che colpa ho io de la tua vita rea?>>.
Quando 'l maestro
fu sovr'esso fermo,
disse <<Chi fosti, che per tante punte
soffi con sangue doloroso sermo?>>.
Ed elli a noi:
<<O anime che giunte
siete a veder lo strazio disonesto
c'ha le mie fronde si` da me disgiunte,
raccoglietele al
pie` del tristo cesto.
I' fui de la citta` che nel Batista
muto` il primo padrone; ond'ei per questo
sempre con l'arte
sua la fara` trista;
e se non fosse che 'n sul passo d'Arno
rimane ancor di lui alcuna vista,
que' cittadin che
poi la rifondarno
sovra 'l cener che d'Attila rimase,
avrebber fatto lavorare indarno.
Io fei gibbetto a
me de le mie case>>.
Tuesday, 16 September 2014
"O Sorriso do Tio Pavel Pleffel" (Chapter IX) by José Thiesen (in Portuguese)
A nuvem estendia-se para além da vista e sobre ela, uma
infinidade de aves em torno de uma grande mesa repleta da melhor comida e
bebida.
Ao verem que o sr. Pavel
chegara, as aves vieram em vôo ou corrida para ele e o rodearam,
cumprimentando-o num coro uníssono cuja beleza jamais voltei a ouvir.
- Heis que sempre viestes,
exclamou uma ave esquisita.
- Venerável Dodô! Eu jamais
faltaria a um convite seu!
- E este é o seu novo
amigo?
- Um dos filhos da Terra.
- E o filho da Terra não
fala?
- Falo, sim, disse quase
atrevido, para afastar de mim qualquer idéia de intimidação.
- E como é o teu nominho?
- Sérgio. E o teu?
- Sou o Venerável Dodô.
- Venerável?
- Porque sou o último de
minha espécie. Mas venham, Pavel e Sério! Desfrutem de nossa festa no céu!
A festa no céu!
O sr. Pavel logo deixou-me
só, solicitado que era por todas as aves que, obviamente, lhe davam a mais alta
importância.
Acerquei-me da mesa,
repleta de a comida mais extravagante que comida, colorida, perfumada e muito,
muito gostosa.
Eu sentia-me desajustado,
ali, pois nunca estivera tão só, rodeado de seres estranhos a mim. Estava
acostumado a espantar pardais e pombos na calçada, mas aqui, eram eles que me
poderiam jogar para fora da nuvem. Mas este sentimento de desajustamento
parecia ser somente meu, pois as aves aceitavam-me com a indiferença de eu ser
um igual a elas.
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