Quando te sonho, ó minha doce Pátria,
A surgires da espuma cor-de-rosa
Dos vespertinos mares, mais formosa
Do que Afrodite, a olímpica e gentil,
Minha alma afoita, qual dourada e fúlgida
Galera ideal, para o infinito zarpa,
E, pelo azul, te vou cantando na harpa,
Terra de Santa Cruz, ó meu Brasil!
Dormias no silêncio dos teus séculos,
E a música selvagem dos coqueiros,
Embalava-te os sonhos feiticeiros,
Sob a doçura do teu céu de anil…
E acordaste ao rumor das quilhas múrmuras [i],
Ao trapejar fatídico das velas [ii],
E dos brancos pendões das caravelas,
Terra de Santa Cruz, ó meu Brasil!
Quão linda foste aos olhos dos Lusíadas,
Sorrindo, à flor do oceano imenso e liso,
O teu primeiro rútilo sorriso [iii],
Naquela tarde histórica de Abril!
Vibrava um hino festival de Páscoa,
Nas alturas diáfanas, macias [iv]…
E tu, com o Deus Mártir ressurgias,
Terra de Santa Cruz, ó meu Brasil!
Sim! renascias para a luz da História,
Num berço de esmeraldas e diamantes,
Que arfava dos teus bosques tão gigantes,
Na eterna floração primaveril.
E nessa hora, qual plácido horoscópio [v],
No céu, no mar, na terra, em toda parte,
A Cruz raiava para abençoar-te,
Terra de Santa Cruz, ó meu Brasil!
Salve, meu verde Pindorama flórido [vi]!
Salve, terra mimosa dos palmares!
Das conquistas do século dos mares,
Tu foste a mais sagrada e senhoril!
Viram-te os navegantes, e saudaram-te,
Qual novo éden de eternas primaveras,
Tão deliciosa e incomparável eras,
Terra de Santa Cruz, ó meu Brasil!
Escuta, ó Pátria, o canto genetlíaco [vii],
Que o coração do poeta hoje murmura,
Ao te beijar, em ondas de ternura,
A mão materna sempre juvenil:
Deus te abençoe! e a cada sol justíssimo,
Que ilumine, como este, as serranias,
Te inove as bênçãos dos primeiros dias,
Terra de Santa Cruz, ó meu Brasil!
Eras a terra das palmeiras vírides [viii],
Quando abraçaste a Cruz, e também ela
Gravou seu nome, em tua fronte bela,
Sagrando-te a mais santa dentre mil.
Palmas e Cruz! Oh! que os dois grandes símbolos
De realeza, de paz e de vitória,
Coroem sempre tua heróica história,
Terra de Santa Cruz, ó meu Brasil!
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